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Instrução de trabalho (IT) é o documento que descreve COMO executar uma tarefa específica, passo a passo — o procedimento diz o que o processo faz e quem responde; a IT diz o que a mão faz. A ISO 9001 não exige nenhuma IT: ela pede informação documentada onde é necessário, e quem decide isso é você. Um modelo funciona com sete campos, e o erro mais comum na auditoria não é falta de IT — é IT desatualizada em uso no posto de trabalho.

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Neste artigo 6 seções
  1. O que é uma instrução de trabalho
  2. A ISO 9001 exige instrução de trabalho?
  3. Modelo de instrução de trabalho: os sete campos
  4. Como escrever para que a IT seja usada
  5. Onde a IT costuma falhar: o controle, não o conteúdo
  6. Perguntas frequentes

Quem busca "modelo de instrução de trabalho" está com uma tarefa na mão e precisa transformá-la em documento hoje. Então este texto tem duas partes: primeiro o que a norma realmente exige (menos do que você imagina), depois um modelo comentado campo por campo, com um exemplo preenchido de ponta a ponta.

O que é uma instrução de trabalho

Instrução de trabalho — IT, na sigla que virou nome — é o documento que descreve como executar uma tarefa específica, na sequência em que ela acontece, com o detalhe necessário para que duas pessoas diferentes cheguem ao mesmo resultado.

É o nível mais operacional da informação documentada de um sistema de gestão. A hierarquia costuma ser esta:

DocumentoRespondeQuem lêExemplo
PolíticaPor que a qualidade importa aquiTodos, uma vezPolítica da qualidade
ProcedimentoO que o processo faz, quem responde, o que entra e o que saiQuem gerencia o processoProcedimento de compras
Instrução de trabalhoComo fazer a tarefa, passo a passoQuem executa, no posto de trabalhoComo conferir material recebido
RegistroO que aconteceu de fatoQuem audita, depoisFicha de conferência preenchida

A confusão mais comum é entre procedimento e IT. A régua é simples: o procedimento fala de processo, a IT fala de tarefa. Se o texto diz "o setor de compras avalia o fornecedor e o gestor aprova", é procedimento. Se diz "abra a planilha X, confira os campos A, B e C, e se algum estiver vazio devolva ao solicitante", é instrução de trabalho.

A ISO 9001 exige instrução de trabalho?

Não. A norma não cita "instrução de trabalho" como documento obrigatório em nenhum requisito — e, desde a versão 2015, não existe lista de documentos obrigatórios. O que ela diz, em 7.5.1, é que o sistema deve incluir a informação documentada determinada pela organização como necessária para a eficácia do sistema. Quem determina é você.

Então a pergunta certa não é "a norma exige?", é "o que acontece se essa tarefa for feita errado?". Escreva a IT quando pelo menos uma destas for verdadeira:

  • O erro é caro ou irreversível. Perda de lote, retrabalho de obra, dado de cliente corrompido;
  • A tarefa é rara. Uma vez por mês, ninguém lembra a sequência — e é aí que se improvisa;
  • Há troca de pessoas. Turno, férias, rotatividade alta, terceiro entrando na operação;
  • Há exigência legal ou de cliente sobre como o serviço é executado;
  • O resultado depende de critério. "Apertar bem" e "conferir se está ok" são as duas frases que mais geram não conformidade na história das auditorias.

E não escreva quando a tarefa é óbvia para qualquer pessoa treinada, quando o sistema já força o caminho certo (o software não deixa avançar sem preencher) ou quando você escreveria só para ter papel na auditoria. IT que ninguém usa é passivo: precisa ser revisada, treinada e controlada para sempre.

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Modelo de instrução de trabalho: os sete campos

Não existe formato obrigatório — a norma não define layout. Mas existe um conjunto de campos que resolve o que a auditoria vai perguntar, e ele cabe em uma página:

CampoPara que serveO que o auditor verifica
1. Identificação
código, título, versão, data
Saber qual documento é esse e se é o atualSe a versão em uso no posto é a mesma que está no controle
2. Objetivo e aplicaçãoQue tarefa cobre e onde vale (setor, equipamento, turno)Se o que está escrito é o que a pessoa realmente faz
3. Responsável pela execuçãoQue função executa — cargo, não nome de pessoaSe quem executa tem a competência registrada (7.2)
4. Recursos necessáriosFerramenta, EPI, sistema, insumo, instrumento calibradoSe o instrumento citado está dentro da validade de calibração
5. PassosA sequência, numerada, um verbo por passoSe a pessoa executa na ordem descrita
6. Critério de aceitaçãoO número que separa conforme de não conformeÉ o campo que o auditor mais cobra — e o mais esquecido
7. O que fazer se der erradoPara quem escalar, o que registrarSe a saída não conforme é tratada (8.7)

Aprovação e revisão não precisam ser campo: podem viver no controle de documentos, no sistema. Se você usa papel, aí sim vale ter "elaborado por / aprovado por" no rodapé.

Um exemplo preenchido

Vale mais que a explicação. Note o tamanho: uma página, sem adjetivo.

IdentificaçãoIT-REC-02 · Conferência de matéria-prima recebida · versão 3 · 12/08/2026
ObjetivoGarantir que o material recebido corresponde ao pedido de compra antes de ser liberado para o estoque.
AplicaçãoRecebimento — todos os turnos. Vale para matéria-prima. Não vale para material de consumo interno.
ExecutaAuxiliar de recebimento.
RecursosBalança BAL-04 (calibração vigente), paquímetro PAQ-01, ERP (tela "Recebimento"), luva de proteção.
Passos1. Localize o pedido de compra no ERP pelo número da nota fiscal.
2. Confira quantidade na balança BAL-04 e registre o valor no campo "peso recebido".
3. Meça três peças ao acaso com o PAQ-01 e registre as três medidas.
4. Confira o certificado do lote: material, lote e data devem coincidir com a nota.
5. Se tudo estiver dentro do critério, marque "aprovado" no ERP e destine ao estoque.
6. Anexe o certificado do lote ao registro no ERP.
Critério de aceitaçãoPeso: variação máxima de 2% em relação ao pedido. Espessura: 3,00 mm ± 0,10 mm nas três medidas. Certificado: presente e coincidente com a nota.
Se der erradoMarque "retido" no ERP, identifique o pallet com etiqueta vermelha, não movimente para o estoque e avise a Qualidade no mesmo turno. A Qualidade abre o registro de saída não conforme.

Repare no que faz essa IT funcionar: o critério é número ("3,00 mm ± 0,10"), não julgamento ("dentro do especificado"); o recurso é identificado ("BAL-04"), então o auditor consegue checar a calibração; e existe caminho para o erro, o que transforma a IT em parte do sistema em vez de um cartaz.

Como escrever para que a IT seja usada

Documento não lido é documento que não existe — e o auditor descobre em uma pergunta. Cinco regras que fazem diferença:

  1. Escreva com quem faz. Sente ao lado, peça para a pessoa executar e anote. IT escrita na sala da qualidade descreve a tarefa que deveria acontecer, não a que acontece — e a auditoria compara com a segunda;
  2. Um verbo por passo, no imperativo. "Meça", "registre", "confira". Passo com duas ações vira passo pela metade;
  3. Troque adjetivo por número. "Aperte firme" não é critério; "torque de 40 N·m" é;
  4. Use foto quando a palavra custa mais. Duas fotos do setup certo e errado economizam meia página, e informação documentada não precisa ser texto;
  5. Uma página. Se passou disso, provavelmente são duas tarefas — ou você está escrevendo procedimento.

Onde a IT costuma falhar: o controle, não o conteúdo

A não conformidade mais comum em auditoria não é falta de instrução de trabalho. É instrução desatualizada em uso no posto: a versão 3 está no sistema, e a folha plastificada na bancada é a versão 1 — porque alguém melhorou o processo e não passou pelo documento.

Por isso a IT precisa estar dentro do controle de informação documentada (7.5.3): versão identificável, disponível onde é usada, e recolhida quando muda. É também de onde vem a discussão de cópia controlada e cópia não controlada — se você imprime, precisa saber onde estão as impressões.

A pergunta que antecipa essa não conformidade: quando o processo mudar, quem lembra de recolher a folha da bancada? Se a resposta é "ninguém", o problema não é a IT — é o controle.

Aprofunde: Quais documentos a ISO 9001 realmente exige · O requisito 7.5, informação documentada · Como controlar documentos sem burocratizar · O guia completo da ISO 9001

Perguntas frequentes

Existe um modelo oficial de instrução de trabalho?

Não. A ISO 9001 não define formato, layout nem campos obrigatórios para instrução de trabalho — nem para nenhum outro documento. O que existe é um conjunto de campos que responde ao que a auditoria pergunta: identificação com versão, objetivo e aplicação, função responsável, recursos, passos numerados, critério de aceitação e o que fazer quando dá errado.

Modelo de terceiro serve de ponto de partida, mas IT copiada de outra empresa descreve a tarefa daquela empresa. O auditor compara o que está escrito com o que a pessoa faz — e é aí que o modelo emprestado aparece.

Qual a diferença entre procedimento e instrução de trabalho?

O procedimento fala de processo: o que ele faz, quem responde, o que entra e o que sai. A instrução de trabalho fala de tarefa: como executar, passo a passo, no posto.

Teste rápido: se o texto tem nome de setor e verbo de gestão ("avalia", "aprova", "define"), é procedimento. Se tem verbo de mão no imperativo ("meça", "registre", "aperte"), é instrução de trabalho.

Quantas instruções de trabalho minha empresa precisa ter?

Não há número. A norma pede informação documentada onde ela é necessária, e a extensão depende do tamanho da empresa, da complexidade dos processos e da competência das pessoas.

Na prática: comece pelas tarefas em que o erro é caro, que são raras, ou que passam por muita gente diferente. Uma operação simples pode ter três ITs; uma indústria com processo crítico tem dezenas. Ter muitas não é sinal de maturidade — é custo de manutenção que se paga em cada revisão.

Instrução de trabalho precisa de assinatura de elaboração e aprovação?

Só se o seu controle de documentos for em papel. A norma exige que a informação documentada seja aprovada quanto à adequação (7.5.2) — não exige campo de assinatura.

Se você usa sistema, o registro de quem criou, quem aprovou e quando já é a evidência, e o campo no rodapé passa a ser redundante. Se você usa papel, aí o campo é a forma mais simples de provar a aprovação.

Pode ter instrução de trabalho em vídeo ou foto?

Pode. A norma fala de "informação documentada", não de texto: vídeo curto, sequência de fotos, tela do sistema e áudio são formas válidas, e em tarefa manual costumam funcionar melhor que a descrição escrita.

O que continua valendo é o controle: precisa ser identificável (qual versão?), estar disponível onde a tarefa acontece e ser substituído quando o processo muda. Vídeo antigo circulando no WhatsApp da equipe é o mesmo problema da folha desatualizada na bancada.

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